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  • CRÔNICA - EDUARDO ZUGAIB

  • O erro de acreditar que não se erra

    Um dos maiores erros que corremos o risco de cometer, na vida pessoal ou profissional, é acreditar que não se erra. E a partir daí endurecer e exigir de todos ao redor mais do que se exige de si próprio. Neste mundo conectado, acreditar que é possível triunfar sozinho, desconsiderando a contribuição que existe ao redor, pode ser o início do fracasso.

    Em qualquer conquista, raramente existe apenas um vencedor. Imagine um atleta de alguma modalidade individual. Um nadador, por exemplo. Se no momento da vitória ele acreditar que tudo aconteceu apenas pelo seu mérito, o prêmio, ao invés de subir para a estante, corre o risco de subir para a cabeça, tornando turva a visão, conforme o senso de infalibilidade se avoluma e começa a se transformar em atitudes que não privilegiam ou reconhecem a contribuição da equipe. No caso do nadador, uma série de outros profissionais contribui para o seu sucesso: desde seu treinador, seu preparador físico, seu nutricionista, apenas para citar os mais próximos. Mas também há aqueles que costumam passar invisíveis e costumam estar longe dos pódios durante a celebração da vitória: o tratador de piscinas, encarregado da limpeza e da temperatura da água, o profissional de limpeza, que manteve vestiários limpos, o profissional que se encarregou de deixar suas roupas secas, garantindo conforto após o treino e por aí vai.

    Nenhum sucesso é fruto de trabalho isolado. Até para que o sucesso seja caracterizado como tal é preciso que exista o reconhecimento de outras pessoas. E as primeiras que o fazem costumam ser justamente aquelas que, de uma forma ou de outra, reconhecem nosso esforço e contribuem para que nosso empenho seja bem-sucedido.

    Quando nossa humildade permite, ao recordar fatos positivos, em especial as conquistas profissionais, sempre perceberemos que uma rede de pessoas possibilitou isso, nos apoiando, facilitando processos e mostrando caminhos. Na nossa equivocada percepção de auto-suficiência, tendemos apenas a nos recordar da rede que se formou para a oposição, dificultando as coisas para nós.

    Quem acredita que sucesso é fruto de esforço solitário corre o risco de, um dia, ter que comemorar a vitória sozinho. Até o prosaico tim-tim de taças demonstra que conquistas precisam de, no mínimo, duas pessoas para serem brindadas.

    Eduardo Zugaib é profissional de comunicação e palestrante motivacional

     

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