Quem não se lembra de seu primeiro emprego? Quem já vivenciou esta experiência, guarda lembranças boas e ruins. Mas, principalmente, guarda lições muito importantes, que ainda traz consigo no presente. Para quem ainda busca a primeira oportunidade de trabalho, prepare-se. Um dia você ainda terá muitas histórias para contar. Histórias como as que eu gostaria de dividir hoje com os leitores desta coluna.
Meu primeiro emprego, de verdade, foi na Redação de O Diário de Mogi. Antes, eu havia feito alguns trabalhos como digitadora (ou datilógrafa, como se dizia na época) para o meu avô, que era advogado. Me lembro que, quando ele pagou o meu primeiro salário, eu agradeci. Ele respondeu dizendo que eu não tinha nada de agradecer: eu havia trabalhado, aquele era o pagamento e ponto final. Coisas de seu Elzinho.
Quando estava quase terminando o primeiro ano do curso de Jornalismo, coloquei meus pés, pela primeira vez, na Redação de O Diário. Me lembro do frio na barriga que senti. A sensação de impotência ao acompanhar uma equipe de reportagem ao velório de uma criança que havia morrido, vítima de um tiro de espingardinha de chumbo. Foi um acidente, mas fiquei impressionada com a reação da família, ainda em estado de choque.
Mal eu sabia que, nos anos seguintes, ainda testemunharia a dor de muitas famílias e ainda teria de engolir meu próprio choro quando tive de ser profissional diante da morte de amigos ou familiares de amigos. Quantas vezes ouvimos comentários do tipo "chegaram os urubus", como se tivéssemos algum prazer naquilo tudo. Se o leitor tem dúvidas, não conheço nenhum jornalista que sinta prazer com o sofrimento alheio, que se conforme com as coisas erradas. Quando perdemos nossa capacidade de indignação, melhor mudar de profissão.
É preciso, também, sensibilidade. Saber ouvir, com atenção, o que o outro diz. Mesmo que o assunto seja chato e o repórter não morra de amores pelo entrevistado, o leitor não tem nada a ver com isso. Lição ensinada pela editora Célia Sato: "O mesmo carinho que você dispensa às coisas que você gosta de escrever, você deve ter com aquilo que não gosta". Quantas vezes ela não me disse isso? Ou que eu deveria sempre manter em mente que o leitor vinha em primeiro lugar. "Quando você for escrever um texto, pare e pense se isso interessa ao leitor".
Conselho que eu combinava com um outro, dado pela também editora Eliane José: "Seja simples ao escrever". E isso foi "no século passado", em 1998. Darwin Valente dizia que, toda vez que alguém ligava para O Diário pedindo uma matéria, especialmente as reclamações sobre buracos de rua e afins, era porque já havia tentado todos os outros meios e não havia conseguido resolver o problema. "É por isso que você tem de se empenhar para que a sua matéria faça com que a comunidade seja ouvida. Este é um dos princípios deste jornal".
E o seu Roberto Monteiro… "Amanda, jornalismo é sacerdócio. É preciso ter vocação para este trabalho". Estes são apenas alguns exemplos de lições que me ensinaram e que faço questão de passar para frente, para quem quiser ouvir.
Todos os dias, meus colegas me ensinam algo novo, seja no aspecto profissional ou pessoal. São lições que, uma vez aprendidas, levo para a vida inteira. Assim como a amizade que temos uns pelos outros. Mas isso é uma outra história…