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  • EDITORIAL
  • 30.jul.2010     Redação
    Ainda a Serra do Itapeti

    As reiteradas reportagens que publicamos nos últimos dias, realçadas por fotografias de pequenos amontoados de casas construídas sem nenhuma infraestrutura na Serra do Itapeti, demonstram claramente que Mogi das Cruzes vem perdendo a batalha pela preservação do espaço recentemente alçado a uma das sete maravilhas do Município. Nossos repórteres sempre voltam de campo com notícias de novas invasões. A sociedade assiste estupefata ao processo de favelização de seu patrimônio ecológico. Enquanto isso, a despeito do barulho que estamos fazendo para tentar interessá-las no assunto, as autoridades ambientais fazem ouvidos de mercador.

    Gostaríamos de perguntar: o que estão esperando para tomar alguma providência capaz de estancar a degradação da Serra? A cada dia, conforme temos informado com uma frequência assustadora, novos barracos são erguidos no sopé da reserva. Será que as autoridades estão aguardando a área se transformar em uma favela para depois agir? Depois que a vegetação for dilapidada, o que colaborará para a extinção da rica biodiversidade da fauna e da flora, de que adiantarão os lamentos? Respondemos: para nada! Mas reclamar após o leite derramado é típico das sociedades que não conseguem resolver questões cruciais. Como não têm respostas para dar, acovardam-se.

    E o que é pior: no futuro, caso o esplendor da Serra do Itapeti tiver sido reduzido a uma vaga lembrança na memória dos mogianos mais idosos, ainda terão a pachorra de vir a público para criticar a falta de ações para preservar o patrimônio ecológico do Município e outros blablablás de ocasião. Por que temos tanta segurança ao afirmar que os sujeitos que agora cruzam os braços diante do avanço da degradação serão os mesmos que criticarão o descaso com que os governantes de antanho lidaram com a situação? Ora, dizemos nós, porque isso já ocorreu com inúmeros outros episódios ocorridos em pontos distintos cuja preservação foi negligenciada.

    Basta ter um pouco de memória. Foi exatamente o que aconteceu, para ficar em apenas dois exemplos, na região do Córrego do Oropó e nas margens do Rio Jundiaí, em Nova Jundiapeba. As invasões começaram devagarzinho, os alertas feitos pela Imprensa e especialistas acabaram ignorados e hoje os dois endereços se tornaram um problema para a Administração. A falta de infraestrutura submete as famílias a enchentes e a ausência de saneamento básico agrava os quadros de doenças infantis, que não recebem tratamento adequado por insuficiência de unidades básicas de saúde. Tudo isso poderia ter sido evitado? Sim, poderia. Mas ninguém quis enxergar o óbvio. Muitos dos que hoje aparecem nos jornais lamentando a situação poderiam ter ajudado a impedir a degradação destas áreas. Mas, quando podiam agir, preferiram cruzar os braços.

     

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