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  • 19.jul.2007     Redação
    Arquiteto colecionava amigos

    MARA FLÔRES

    José Carlos Pierucetti, 43 anos, que morreu no acidente com o Airbus da TAM, nasceu e passou a maior parte da sua vida em Mogi das Cruzes, onde estudou e colecionou amigos e mais amigos ao longo dos anos e com os quais mantinha contato até hoje e entre os quais era conhecido simplesmente como "Peru", mesmo apelido de um de seus tios. Com residência em São Paulo, mas viagens de trabalho constantes para Argentina, Porto Alegre e Vitória, sempre que podia, ele vinha para a Cidade, onde moram seus irmãos Osvaldo e Ana Rosa, tios e primos.

    José Carlos é filho de Hugo Pierucetti, que morreu há cerca de três anos em razão de complicações renais e sobrinho do conhecido desportista mogiano José Pieruccetti (a grafia do sobrenome do arquiteto e seus pais é diferente em razão de um erro de Cartório). A mãe, Therezinha Jorge Pierucetti, faleceu há mais de 20 anos e era irmã do advogado Munir Jorge (leia mais nesta página).

    O arquiteto foi casado com a professora Adília Martins, que mora em Mogi e com quem teve a filha Marcela, que completará 21 anos no próximo domingo. A moça retornou no último dia 5 da Austrália, após uma temporada de estudos, e residia com o pai, na Capital. Atualmente, José Carlos namorava a dentista Dirlene de Oliveira, que reside em Vitória, no Espírito Santo.

    O arquiteto estudou o colégio no Liceu Braz Cubas e se formou em Arquitetura na turma de 1992 da Universidade Braz Cubas (UBC). Foi depois disso, e com objetivos profissionais, que começou a alçar vôos para outras regiões, entre as quais, São Paulo, Bahia e Vitória. Já há alguns anos, o mogiano trabalhava no Grupo Odebrecht, sendo que atualmente integrava a empresa Braskem (braço petroquímico da multinacional), na qual era o responsável por desenvolvimento de mercado na Unidade de Vinílicos (plásticos como PVC).

    Seu grande orgulho, segundo relatos feitos pela filha Marcela e por amigos, era o seu mais recente trabalho voltado para soluções para habitações de pessoas carentes, através da arquitetura do mundo contemporâneo. Sonho de milhões de pessoas que residem nas favelas brasileiras, o banheiro foi o módulo escolhido para o projeto do mogiano pela Braskem.

    A iniciativa já tem protótipos instalados em comunidades carentes do País, com as características principais de facilidade de instalação e reduzida manutenção. No projeto desenvolvido por Pierucetti, o banheiro com cerca de 1,70 metros quadrados possui caixa d’água de 310 litros, bacia sanitária, pia, chuveiro e um tanque externo para lavagem de roupas. Tudo com estrutura em PVC. O modelo foi apresentado pela Braskem na Bienal Internacional de Arquitetura e ganhou apoio, entre outros, do Rei Pelé. Aliás, a foto tirada por Pierucetti ao lado do jogador se transformou no xodó do arquiteto, que fazia questão de exibi-la.

    No currículo consta o trabalho na Bahia, na assessoria da equipe que atuou na restauração do Pelourinho e a participação na construção de resorts.

     

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