Parque das Neblinas tem novas atrações

São 1,6 mil hectares, com 400 nascentes de rios, 1, 4 mil espécies da Mata Atlântica e uma rica fauna presentes no Parque das Neblinas / Foto: Edson Martins

ELIANE JOSÉ

O Parque das Neblinas abriu nesta semana a agenda para os primeiros visitantes do camping e da trilha de bike, duas novas atrações que são uma aposta para ampliar o número anual de frequentadores da reserva ambiental pertencente à Suzano Papel e Celulose e administrada pelo Instituto Ecofuturo.
Os passeios têm custo diário e podem ser marcados por telefone e e-mail – em breve, poderão ser combinados no site desse parque particular com 6,1 mil hectares, mais de 1.400 espécies de Mata Atlântica e riquezas como as 400 nascentes que irrigam o Rio Itatinga de água pura. A reserva fica a 12 quilômetros do centro do Distrito de Taiaçupeba.
Seguem diretrizes da sustentabilidade e do baixo impacto de uso e de construção, o camping com seis módulos para a instalação de barracas e o recebimento diário de 20 pessoas e a trilha para ciclistas mapeadas em 10 quilômetros de extensão entre os “carreadores”, os caminhos antes usados durante décadas por caminhões para o transporte de madeira.
Instalações caprichosamente preparadas para visitas autoguiadas esperam por turistas em busca de uma vivência ecológica em meio à Serra do Mar.
No camping, há um rancho com fogão a lenha, mesa, um mezanino com vista panorâmica, interligados por corredores verdes sinalizados que se desembocam numa área onde uma fogueira está à espera de uma roda para conversas. Os banheiros não têm água quente, porém um chuveiro inusitado possibilita o banho quentinho a quem aquecer a água num recipiente, andar alguns passos até ali e despejar o conteúdo em um regador com capacidade para 20 litros.
Tudo inspira a organicidade da vida longe do cinza das cidades, muito perto do mar. Tão perto que em dias mais claros e no horário certo, num magnífico mirante, vê-se o litoral ao longe.
Um dos recortes mais bacanas sobre essa experiência em sintonia com os ditames da natureza está a poucos metros dos banheiros, onde um pequeno lago foi construído e pode “educar” o frequentador: quem abusar de produtos de higiene pessoal com propriedades químicas em desalinho com o que é natural poderá notar o efeito negativo disso nos peixinhos que nadam por ali. A deixa é alertar sobre a diferença na escolha das etiquetas biodegradáveis para a proteção da natureza.
Conexão é palavra doce usada pela bióloga Michele Martins, responsável pelos programas de Visitação e de Educação Socioambiental do Instituto Ecofuturo, ao apresentar as instalações e as tecnologias socioambientais pensadas para proporcionar vivências com potencial para transmitir valores e construir o espírito crítico no cidadão sobre a educação ambiental.
A ideia é proporcionar um passeio com seiva o bastante para criar lastros em consciência, impressões e reflexões sobre a perenidade dos recursos ambientais, da água, do bicho, da árvore.
Vem dessa perspectiva a construção do banheiro seco, com dois vasos, um para o xixi e outro para o cocô, eliminados separadamente, esses dejetos se transformam em matéria orgânica – junto, não, viram elementos que deprimem e matam rios e córregos.?Didático, um quadro sistematiza o tratamento das fezes humanas.
“Queremos deslindar nós”, afirma Michele.
E de quê maneira? Apresentando às pessoas tecnologias sanitárias como essa, que podem ser adotadas em escalas maiores. Ou ainda recebendo grupos de estudantes que começam a receber cedo essas informações sobre a proteção da vida.
Ficou interessado? A agenda está aberta. Os preços do passeio seguem aos praticados por estabelecimentos semelhantes, no Brasil: R$ 60,00 para a trilha de bike (a pessoa deve levar a própria bicicleta) por um dia; e R$ 40,00 para o pernoite no camping.
Há outras opções: visitas autoguiadas (R$ 40,00) ou guiadas por funcionários do Parque (R$ 50,00), bem como o almoço preparado por cozinheiras, moradoras do Distrito de Taiaçupeba no fogão a lenha com duas bocas. O valor individual é R$ 42,00 (comida a gosto mais suco e sobremesa). Quem quiser leva o próprio lanche.
Saiba mais no site do Instituto Ecofuturo (www.institutoecofuturo.org.br) ou nos telefones 4724-0555 ou 4724-0556.

Saiba que…

. Parque das Neblinas é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em recuperação. No passado, a mata nativa foi dizimada para a extração de carvão. Depois, transformou-se na primeira fazenda da família Feffer, da Suzano Papel e Celulose. De 1960 a 1988 produziu eucalipto.
. Em 1999, o Parque das Neblinas foi inaugurado pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
. 18 anos depois, essa mata possui recortes de eucalipto, para o desenvolvimento de pesquisas, e áreas em recomposição.
. Vizinho do Parque Estadual da Serra do Mar, a unidade tem sido considerada como um “bunker”, um obstáculo para blindar o processo de ocupação no entorno da reserva estadual.

Um cheiro doce no ar
Lírios brancos do campo, manacás do campo, e a “aleluia”, árvore de médio porte com flores amarelas, aguçam o olhar do visitante do Parque das Neblinas a partir do centrinho de Taiaçupeba. O ar cheira doce. A paisagem é duramente entrecortada por muitas propriedades muradas, o que confirma a pressão da ocupação no entorno da Serra do Mar. Com os moradores do entorno, o Instituto Ecofuturo desenvolve uma política de boa vizinhança e parcerias visando o manejo sustentável, com cursos e especializações sobre o cultivo de espécie como o palmito juçara.

Troca de saber
Converse com os funcionários do Parque das Neblinas e a troca de saberes escapa do papel, onde estão descritos os pilares dos projetos ambientais geridos na reserva. Antes guarda-parque e hoje supervisor da reserva, David Almeida atua ali desde a inauguração. Vem dele a história sobre a única das 400 nascentes do Rio Itatinga que não segue para o mar. Corre no sentido inverso das demais que encorpam o manancial que chega a Bertioga como um “torneirão” de água limpa, na figura de linguagem dita pela bióloga Michele Martins. Uma parte água do Itatinga abastece o litoral, a outra vira energia elétrica.
E as borboletas amarelo quase palha circulando em dupla, trio e quarteto? “São dessa época do ano, em dezembro, vemos os “montinhos” dessas lagartas, embaixo das folhas”, partilha a bióloga Cleia Araújo.
Na maior parte dos dias do ano a neblina muda a paisagem. É aconselhável levar uma muda de roupa: um banho no Itatinga é convite a quem não tem medo de água fria.

Imagine-se em um pedaço de chão que tem 1,6 mil hectares, 400 nascentes de rios, 1.400 espécies de Mata Atlântica e infindáveis animais e pássaros. Não, você não está na Floresta Amazônica. Não mais de 40 minutos - de carro - separam esse paraíso do burburinho da Cidade: é o Parque das Neblinas, ali em Taiaçupeba, na divisa de Mogi e Bertioga / Foto: Edson Martins
Imagine-se em um pedaço de chão que tem 1,6 mil hectares, 400 nascentes de rios, 1.400 espécies de Mata Atlântica e infindáveis animais e pássaros. Não, você não está na Floresta Amazônica. Não mais de 40 minutos – de carro – separam esse paraíso do burburinho da Cidade: é o Parque das Neblinas, ali em Taiaçupeba, na divisa de Mogi e Bertioga / Foto: Edson Martins

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