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Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2015

Última atualização:05:00:00 AM GMT

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Justiça não conclui caso Grazielly



Hoje, completa três anos anos da morte de Grazielly Almeida Lames, de apenas 3 anos. Em 18 de fevereiro de 2012, ela foi atropelada por um jet ski, pilotado por um garoto de 14 anos, filho de um empresário mogiano, na praia de Guaratuba, em Bertioga. Os pais dela, Gilson Almeida, de 35 anos, e Cirleide Rodrigues Lames, de 27 anos, ainda aguardam por Justiça.

O processo  tramita no Fórum de Bertioga e a família quer a punição dos envolvidos, entre eles, o dono do jet ski, o empresário José Augusto Cardoso Filho, proprietário de uma mineradora e de uma  usina de tratamento de lixo.

O advogado José Beraldo acompanha o caso desde o início. Informou à Imprensa que os adultos envolvidos na tragédia foram indiciados por homicídio culposo (sem intenção), porém lamenta que o mesmo não aconteceu com o garoto que conduzia o equipamento. “Ele tem que responder Ato Infracional por homicídio e ser internado na Fundação Casa”, espera.

Ouvido pela Justiça, o empresário Cardoso contou que não estava em sua casa de praia no dia do acidente e também inocentou o caseiro Edivaldo Francisco de Moura, o “Chapelin”. Ele foi apontado inicialmente como o responsável por auxiliar o menor de 14 anos, e o amigo dele, um menino, de 12 anos, a levar a moto aquática até o mar. Enfim, Cardoso explicou que o garoto pegou o jet ski sem autorização.

Após o acidente, o advogado Maurimar Bosco Chiasso, constituído pela família do infrator, alegou que o menino mexeu e o jet ski, inesperadamente, começou a transitar.

Testemunhas, no entanto, afirmaram ao contrário, dizendo que o garoto trafegava em alta velocidade e a máquina, sem controle, ingressou na praia, atingiu de leve a perna de uma jovem, e atropelou Grazielly, a qual fazia um castelinho na areia; era o seu primeiro passeio ao Litoral. Até, um rapaz que desligou o jet ski sofreu ferimentos.

Ela sofreu traumatismo craniano e os pais reclamam que a família e amigos do menor se omitiram em socorrer Grazielly. Houve uma demora de uma hora para ser removida de helicóptero ao Hospital de Bertioga, onde chegou praticamente já sem vida, protestam os pais.

Na ocasião, residiam na cidade de Arthur Nogueira, no Interior de São Paulo. Hoje, moram em um município vizinho. O casal está inconformado com a demora da  Justiça  para  condenar os acusados. “Espero que alguém acelere o processo”, apela Gilson.  A mãe de Grazielly, emocionada, afirma que “não queremos vingança, mas sim Justiça”. Enquanto isso, o menor infrator condutor do jet ski, já com 17 anos, segui a vida normalmente.

 O processo na esfera cível por danos morais, com indenização de R$ 12,4 milhões, anunciada pelo advogado, ainda não prosperou, pois conforme José Beraldo, “é preciso aguardar a condenação na área criminal”. (Laércio Ribeiro)

PM estuda abrir três novas bases


O Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo avalia um relatório encaminhado pelo 17º Batalhão da PM, sediado em Mogi das Cruzes, em que consta o pedido de criação de, pelo menos, três bases fixas. Vila Oliveira, Jundiapeba e Jardim Margarida são os pontos solicitados por moradores, lideranças de bairros e conselhos de segurança (Consegs). Os lugares são conhecidos pelo elevado número de roubos e invasões a residências.

A informação foi passada a O Diário pelo Setor de Comunicação do Batalhão. Conforme explica a capitã Lígia Alves, a demanda é antiga e os pedidos foram compilados em um documento enviado há algumas semanas ao alto Comando da PM. É de conhecimento público, contudo, que a Polícia Militar, assim como as demais forças de segurança do Estado, passaram neste início de 2015 por um processo de troca de comandantes (saiu o coronel Roberto Meira e assumiu o coronel Ricardo Gambaroni). O novo responsável ainda está em uma fase de adaptação.

Não é segredo também, como O Diário tem noticiado, que chefes anteriores do Comando de Policiamento de Área Metropolitana (CPAM/12) não eram favoráveis  à abertura de novas bases. Nesta gestão do coronel Nelson Celegatto, pela primeira vez em alguns anos, a PM assentiu que pode trabalhar com a hipótese de novas bases. 

A questão é que o Setor Operacional da PM acredita que o policiamento em quatro rodas acaba sendo mais eficaz que postos em locais determinados. “O raio de abrangência do policial motorizado é muito maior do que deixar dois policiais lotados em uma base. O comerciante ou morador da rua onde está a base pode ter uma grande sensação de segurança, mas e os das ruas de trás? É por isso que o conceito de policiamento ostensivo motorizado acaba sendo mais eficaz na prevenção ao crime, resultando, inclusive, em diversos flagrantes feitos por nossos agentes”, explicou à reportagem a capitã.

Os três bairros têm problemas bem específicos. Na Vila Oliveira, as invasões a domicílios aumentam em uma proporção preocupante. Além disso, assaltos na entrada de garagens têm chamado a atenção, como o de um dono de uma tradicional doceria na região central da Cidade, rendido e baleado no rosto pelos bandidos há pouco mais de uma semana.

Em Jundiapeba, os roubos e tráficos são a base da insegurança do periférico distrito de Mogi das Cruzes. O que pode frustrar os sonhos de alguns moradores em contar com uma base da PM lá (especificamente na região do largo da feira) é o fato de Jundiapeba abrigar a 2ª Companhia do 17º Batalhão. Não é comum, dentro do mapa de distribuição da Polícia, unidades tão centralizadas. 

No Margarida, no entanto, o pedido ganha força, por conta da distância com a zona urbana central do Município. A região abrange o Novo Horizonte, Piatã I, II e III, além dos bairros de Suzano e Itaquaquecetuba. Os assaltos, inclusive em portas de escolas, além do tráfico de drogas, que teria por trás figuras fortes do Primeiro Comando da Capital (PCC), demandam atenção bastante especial da PM.

O documento enviado ao Comando da Polícia Militar, na Capital, não tem prazo para resposta. O aval para a abertura de novas bases deve partir apenas de lá.

O efetivo limitado (com déficit de policiais chegando a 13%) é um empecilho para que as três unidades sejam criadas de imediato. 

“Acreditamos que bases com mais concentração de pessoas ou mancha criminal mais intensa devam ser priorizadas”, acrescenta a capitã, referindo-se à base fixa da Praça Oswaldo Cruz, a principal na relação da postos do Município. 

A PM conta com unidades também no Jardim Universo, Braz Cubas, Pindorama (com conceito japonês, onde o policial mora no local), Mogi Moderno e Rodeio (esta última parcialmente fechada até o meio da semana por conta do destacamento de policiais de Mogi para a Operação Verão, no Litoral). O ponto voltou a funcionar em horário comercial nesta semana depois que o assunto ganhou repercussão na imprensa.  (Lucas Meloni)

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